Acampamento Meio-Sangue #3
Apesar de todo o tormento do dia, naquela noite eu tinha ganhado irmãos maravilhosos, descoberto a identidade do meu pai e estava dormindo em um novo lar. Não havia como melhorar, certo? Errado.
No meu sonho eu estava no ponto mais alto de uma montanha, de onde tinha uma vista aérea de uma imensa floresta que ali cercava. O sol brilhava com tanta intensidade que parecia estar mais próximo que de costume e uma brisa acariciava o topo das árvores fazendo com que o barulho das folhas se batendo formasse uma linda melodia natural.
– Estou feliz que tenha chegado bem, minha filha – disse uma voz atrás de mim.
Virei-me num reflexo e me deparei com um cara de porte atlético, sorriso branco e sincero, aparentando dezoito ou dezenove anos, e que usava óculos de sol Ray-Ban. Seus cabelos loiros eram do mesmo tom que os meus, porém cacheados. Usava calça jeans, uma camiseta baby-look branca onde se lia “It’s Hot” em vermelho e tênis. Ele era o típico garoto dos filmes americanos pelo qual todas as meninas se derretiam – e pela inscrição da camiseta, isso não parecia impossível – bonito, musculoso e simpático.
– Pai? – minha voz falhou.
– Sim, minha querida, – ele desencostou do conversível vermelho que estava estacionado às suas costas e caminhou em minha direção, à medida que ele se aproximava o ar ia ficando mais quente – eu sei que você já passou por muita coisa, mas agora tudo vai ficar bem, o acampamento é um lugar legal, você vai aprender muita coisa lá.
Ele estava frente a frente comigo. Em seu rosto estava estampado um sorriso lindo e tão branco que refletia a luz do sol. Eu sentia que conhecia aquele sorriso, que o tinha visto em meus sonhos…
– Eu já o vi antes. Não é? – aquilo soou mais idiota do que eu imaginei.
– Mas é claro, Lilian, eu já a visitei em seus sonhos muitas vezes. Eu sempre estive com você.
Lembrei-me da minha mãe. Uma lágrima escorreu em meu rosto e abaixei a cabeça. Nunca gostei que me vissem chorando, fosse quem fosse eu não precisava que ninguém sentisse pena de mim, sempre soube me virar sozinha.
– Sua mãe, está nos Campos Elíseos, querida. Ela está bem e muito orgulhosa de você – Apolo levantou meu rosto num gesto delicado e sorriu.
– Está tudo bem – enxuguei o rosto.
– Saiba que eu e sua mãe sempre vamos estar contigo – ele tirou um saquinho de veludo amarelo do bolso – e para que nunca se esqueça disso, aqui está um presente meu para você – e me entregou o pacote cor de ouro.
– Muito obrigada, pai – eu não aguentei e o abracei. Ele era quente, muito quente. Tinha um abraço firme e aconchegante. Quase que não o solto.
– Isso vai te proteger, minha filha, – ele sorria feliz – agora tenho que ir. Fique bem.
Então ele montou em seu conversível que começou a subir e a brilhar como o próprio sol. Fechei os olhos para escapar do brilho e quando voltei a abri-los estava deitada em minha cama no chalé sete, já era dia e alguns de meus irmãos já estavam em pé arrumando seus beliches, ainda vestindo pijamas. Sentei-me e só então me dei conta de que estava segurando o saquinho amarelo-ouro que meu pai havia me dado no sonho – se é que aquilo realmente fora um sonho.
Abri o pacote. Dentro dele havia um cordão com um pingente em forma de clave de sol, ambos em ouro. Coloquei-o em meu pescoço e virei-me para meus irmãos.
– O que devo fazer agora?
– Bem, – disse-me um garoto de cabelos pretos e olhos azuis, que aparentava dezesseis anos, chamado Matheus – daqui alguns minutos temos o café da manhã, e a inspeção dos chalés.
– Entendi. Arrumar as coisas para a inspeção dos chalés. Certo? – disse animada.
Ele assentiu com a cabeça e sorriu.
– E depois é vamos para o banheiro, nos arrumar para o café da manhã. Já somos os próximos.
Sorri e me levantei. Não havia notado ainda, mas não existia banheiro no chalé. Enfim, comecei a arrumar minha cama e, de repente, um rock muito alto começou a tocar – uma das músicas mais pesadas do Metallica.
Georgia acordou num pulo.
– Quem foi que trocou a música do despertador de novo? – ela gritou – Eu vou fritar cada filho de Hermes, podem ter certeza do que estou falando!
Luis desligou a música. Aquela, com certeza, não foi a primeira vez que Georgia acordou com a música trocada. Ela estava tão quente que poderia por fogo em sua cama.
– Acalme-se Georgia – disse Luis – você não quer por fogo na cama mais uma vez, certo?
“Ok, ela não só pode como já pôs fogo na sua cama alguma vez” pensei.
– Certo, – ela disse – mas pode ter certeza que esses idiotas ainda vão queimar.
– Vamos para o banheiro, na volta, arrumamos o chalé – disse Matheus.
– Isso mesmo, – me virei para pegar minhas roupas – vamos Georgia.
E então fomos para o banheiro. Ela ainda estava quente e falava de como os filhos de Hermes não paravam de fazer brincadeiras com os outros chalés, o que não ajudava a diminuir sua temperatura. Então resolvi mudar de assunto.
– Tive um sonho essa noite – eu disse ligando a torneira.
– Isso é normal, irmã. Todos nós, semideuses, temos sonhos. Na maioria das vezes eles são estranhos.
– Mas o meu foi diferente. Eu falei com o papai e…
– Você falou com o papai? – o tom de voz dela mudou e eu pude sentir sua temperatura mudando, não era como se estivesse com raiva, mas sim com ciúme.
Contei a ela sobre a conversa e sobre o presente no saquinho amarelo. Mostrei-a o pingente. Ela o examinou e olhou fundo em meus olhos.
– Eu acho que sei o que é. Não tenho certeza, mas de todo jeito, você é uma menina de muita sorte.
Acampamento Meio-Sangue #2
Segui Will para fora do chalé. Agora, consciente, aproveitei o caminho até o refeitório para ver como era o acampamento. Primeiro avistei cerca de vinte chalés dispostos em semicírculo – cada um com uma decoração diferente –, havia uma parede de escalada que soltava fogo, uma casa de três andares pintada de azul com detalhes em branco, um bosque um tanto macabro, uma saída para a praia – Long Island, eu sabia, mas não tinha certeza de como –, um lago de canoagem, e mais alguns outros locais que não tive tempo para distinguir. Willian virou-se para mim e sorriu:
– Talvez você não tenha que dormir na minha cama hoje. Com sorte você será reclamada hoje.
– Reclamada?
Ele parou e esperou até que eu me aproximasse.
– Você não sabe de nada?
– De nada o que?
– Dos deuses, do Olimpo, de nós…
– Espere! – eu o interrompi – Deuses? Olimpo? Você quer dizer mitologia grega?
– Sim e não. Eu estou me referindo aos deuses e ao Olimpo das suas aulas de história, mas não é só mitologia.
– Você está dizendo que os deuses… Que eles… Que eles existem de verdade?
– Sim! Eles existem verdade e vivem aqui… Quero dizer, não aqui no acampamento, mas aqui nos Estados Unidos. Eles migram de acordo com o centro da civilização ocidental. E como você já deve ter ouvido antes, eles têm filhos com mortais…
– E nós somos seus filhos! – o interrompi novamente, provavelmente com uma expressão de espanto.
– Exatamente. – ele concluiu – Quando seus filhos chegam ao acampamento, eles mandam um sinal para indicar que é pai ou mãe de determinado campista. Isso é ser reclamado.
Sua expressão era de preocupação. Ele olhava fundo nos meus olhos, mas eu estava assustada demais para fazer qualquer movimento. Só conseguia pensar quem era meu pai. Ele sorriu novamente e segurou em meu braço.
– Fique calma, mais tarde eu te explico tudo com mais detalhes. Agora vamos jantar.
E então me ajudou a caminhar até o refeitório. Eu iria gostar muito do que estava acontecendo naquele momento – um cara bonito e simpático lado a lado comigo – mas não havia espaço para tais pensamentos em meio a tantas dúvidas.
O refeitório era uma grande construção com colunas de mármore branco, uma mesa para cada chalé e outra mesa principal onde estavam o centauro – Quíron, disse-me Will – e o Sr. D – Dionísio, deus do vinho, diretor do acampamento – a quem alguns sátiros – segundo a professora de História, são basicamente homens-bode – traziam frutas e pães.
O cardápio tinha tudo o que uma garota queria após uma viagem longa e um dia conturbado como aquele. Will nos instruía para que depois que nos servíssemos, fossemos até a fogueira e jogássemos uma parcela de nossa comida nela, como oferenda aos deuses. Fiz como ele me pediu, joguei parte da minha comida na fogueira e disse bem baixinho “Papai, por favor, eu estou aqui”. Não sei por que eu disse aquilo, mas achei que era uma boa forma de me comunicar com os deuses… Com o meu pai!
O jantar foi tranquilo. Um menino que estava no chalé foi reclamado filho de Íris – deusa do arco-íris – e as meninas, irmãs, que tinham aquela expressão de superioridade, foram reclamadas filhas de Ares. Foi uma coisa bem simples, um sinal luminoso – com uma espécie de símbolo do deus – pairava em cima da cabeça do campista. Confesso que olhei várias vezes a cima de minha cabeça esperando por esse sinal, mas nada aconteceu.
Depois do jantar fomos ao anfiteatro cantar e contar algumas histórias, Will sentou-se ao meu lado. Permaneci calada. Muitos pensamentos me atormentavam e…
– Will, como eu pude não pensar nisso antes? – levei as mãos à cabeça – Afinal, de quem você é filho?
– Hermes – ele riu docemente – o deus mensageiro, deus dos viajantes, deus dos ladrões.
– Muito prazer semideus – eu brinquei.
Ele olhou fundo nos meus olhos, sorrindo para mim – eu já disse o quanto o sorriso dele é bonito? – e então ficou paralisado, olhando para cima da minha cabeça.
– Como eu havia previsto: você não vai precisar dormir na minha cama.
Olhei para cima. Um arco-e-flecha, amarelo e luminoso, estava flutuando sobre a minha cabeça.
– Uma filha de Apolo – disse Quíron – deus da música, deus da medicina, deus da profecia, deus do sol… Lilian, você agora pertence ao chalé sete.
Nove garotos se aproximaram, dando-me as boas-vindas e apresentando-se. Um deles – forte, alto, olhos esverdeados, cabelos loiros como os meus e cerca de dezoito anos – apresentou-se como Luis, o conselheiro do chalé sete.
– Já tenho uma cama preparada pra você.
Eles todos tinham sorrisos largos e brancos, eram muito simpáticos, muito comunicativos e eu sentia como se os conhecesse há muito tempo, como irmãos com quem convivi desde que nasci. Realmente, eles eram meus irmãos, mas eu nunca os tinha visto. Enfim, eles me acompanharam até o chalé onze, de Hermes, para que eu pegasse minhas coisas e depois me ajudaram a leva-las ao chalé sete.
Uma construção que parece de ouro sólido talhado de notas musicais e que brilha até durante a noite. Por dentro o chalé era de paredes brancas e completamente organizado. Na parede esquerda haviam seis beliches arrumados com lençóis amarelos e cobertores vermelhos. No fundo um armário enorme com quinze portas de espelho ocupava toda a parede, era uma porta para cada campista, mas cinco não estavam sendo utilizadas. Na parede da direita havia livros de medicina, cds, notebooks, fones de ouvido, jogos, uma televisão e um aparelho de som impressionantemente organizados em uma bancada e na prateleira que ficava logo acima, e duas camas com lençóis e cobertores amarelos estavam arrumadas entre a bancada e o armário. No centro havia um tapete vermelho – como os de casamento – e um lustre em forma de sol que iluminava, sozinho, todo o quarto.
– Você pode ficar na cama. Nós as guardamos para nossas irmãs porque tem gavetas, e vocês tem mais coisas pra guardar… E você pode escolher um armário vago pra você.
Luis era muito atencioso, na realidade, todos os meus irmãos eram atenciosos. Nenhum irmão que eu já tive deixou a melhor cama pra mim. E eles, mesmo não me conhecendo, me deram muita atenção e muito carinho na primeira hora juntos.
– Eu nem sei como agradecer – falei envergonhada.
– Sinta-se em casa, afinal essa será sua casa daqui pra frente. E não precisa agradecer, somos seus irmãos e… – ele olhou para os outros irmãos como se pedisse consentimento – não costumamos ter irmãs, meninas sabe? A maioria dos filhos de Apolo são meninos.
– A não ser por mim, e agora você – uma menina de cabelos loiros e olhos verdes, cerca de dezesseis anos, entrou no quarto e foi se aproximando, me encarando como quem vai atirar uma flecha e mim, e quando eu já estava me arrependendo de ter sido reclamada ela sorriu – seja bem-vinda irmã, será bom mais uma para me ajudar a dar um jeito nesses meninos.
De repente a menina passou de assassina de recém-chegadas para futura irmã-perfeita. Ela se apresentou como Georgia e era irmã – por parte de mãe também – do conselheiro, Luis.
Ela me indicou um armário ao lado do dela e disse que no dia seguinte me ajudaria a arrumar minhas roupas. Nós e os outros irmãos conversamos por um tempo sobre música e procedimentos cirúrgicos. Eu estava me sentindo mais que em casa, eu estava com a minha família, finalmente.
– Hora de Lilian ir dormir, o dia dela foi longo, ela teve muita coisa pra absorver, e precisa descansar. – disse Georgia – Vamos todos dormir porque há muita coisa pra mostrarmos e ensinarmos a ela amanhã.
Então fomos todos para nossas camas. Só deu tempo de agradecer ao meu pai e depois cair no sono.
Acampamento Meio-Sangue #1
Na van, que fora nos buscar no aeroporto mais cedo, tinham cerca de dez crianças, a maioria aparentava treze anos, exceto uma garotinha, a qual parecia ter dez anos. Ela tinha cabelos castanhos e olhos num tom mais claros que seus cabelos, sua expressão era de superioridade e ela parecia observar tudo e todos com desprezo. Ela tinha uma irmã – pelo que percebi – que tinha as mesmas feições e a mesma expressão de superioridade, só que esta tinha aparentes catorze anos. Um garoto, no fundo da van, tinha uns quinze anos, era negro, cabeça raspada, olhos escuros, tinha o porte de um jogador de futebol e que veio dormindo durante todo o percurso. Fora esses e eu, com quinze anos, cabelos loiros muito claros e lisos, olhos castanhos e que não entendia nada que estava acontecendo, todos pareciam com a mesma idade.
Enquanto a maioria na van parecia ter com quem conversar, eu tentava não pensar para onde estava indo. Já tinha visto todos no avião, mas minha timidez não permitiu que eu me enturmasse, portanto só prestei atenção em suas conversas, tentando me distrair e, quem sabe, entender alguma coisa que estava me acontecendo. Coisas estranhas sempre me aconteciam, mas ser “magicamente” inscrita num acampamento que eu nunca nem ouvira falar estava entre as coisas mais esquisitas coisas que já me aconteceram.
No alto da colina eu avistei o pinheiro. No galho mais baixo estava empoleirado o manto dourado que eu ouvira algumas crianças falarem durante o caminho do aeroporto até… Bem até onde aquele motorista esquisito estava nos levando. Abaixo da árvore estava uma criatura reptiliana enorme – um dragão – que estava embalado num sono aparentemente profundo, já que quando respirava saia fumaça de suas narinas. Segundo o que captei pelas conversas das crianças na van, o mostro guarda o manto dourado – que elas chamavam de Velocino de Ouro.
Subimos a colina em silêncio. Alguns mostravam uma euforia muito contida, talvez para não acordar o dragão. Mas os outros, assim como eu, não entendiam nada do que estava acontecendo. Enquanto subíamos, eu me perguntava que tipo de acampamento haveria por trás da colina e o motivo de ele ser tão afastado. Quando eu digo afastado, não quero dizer só das pessoas e da cidade, quero dizer em outro país. Eu e todos que estavam na van viemos do Brasil direto para New York.
Chegamos ao topo. Lembro só de olhar para baixo e ver construções que pareciam da Grécia antiga, a partir daí minha memória apagou. Talvez fosse o nervoso, não era a primeira vez eu isso acontecia – eu ligar o automático e não lembrar-me de nada que acontecera enquanto estava no “transe”.
Retomei a conta do que estava acontecendo quando já estávamos eu e as crianças da van, dentro de um cômodo muito bagunçado sendo apresentados para um amontoado de jovens em camisetas laranja. Foi quando me dei conta de quem estava nos apresentando – um centauro cuja parte cavalo era de um pelo branco lustroso, seu rosto apresentava um sorriso acolhedor emoldurado por uma barba por fazer.
– Este será o Chalé de vocês – ele se virou para nós – até que possamos descobrir quem é seu pai ou mãe olimpiano. Willian Down cuidará para que fiquem acomodados e para que todas as suas dúvidas sejam tiradas.
O centauro se retirou fazendo um sinal de concessão a um garoto de cabelos negros encaracolados, que aparentava ter dezessete anos, com os olhos negros de quem vai aprontar com você e um sorriso tão bonito e sincero que te faz querer sorrir também. Willian se colocou a frente de todos e pôs-se a falar:
– Bem vindos ao Chalé de Hermes. Eu sou Willian, mas prefiro Will. Quaisquer dúvidas podem falar comigo. Eu vou arranjar lugares aqui no chalé para vocês dormirem. Você, – ele apontou para um dos meninos que veio na van comigo – qual o seu nome?
– Leonardo – respondeu o garoto de cabelos dourados e olhos cinzentos.
Willian mostrou um lugar vazio no chão e prometeu lhe entregar um saco de dormir mais tarde. Ele repetiu isso com todos da van, até que só restou a mim.
Eu estava estática, sem entender o que estava acontecendo. Afinal, que papo era aquele de “pai ou mãe olimpiano”? Se o centauro estava falando da minha mãe, bem, ela havia morrido de câncer havia três anos, nós vivíamos sozinhas e não tínhamos parentes próximos. Desde que ela ficou doente seus “amigos” se distanciaram e eu fiquei um ano cuidando dela por conta própria, até que ela não aguentou. Então passei a percorrer diversos orfanatos, até ser estranhamente inscrita num acampamento e agora estar ali.
Mas se ele estava falando do meu pai… Eu não conheci meu pai, minha mãe sempre disse que ele era um homem muito bom e que eu era muito parecida com ele, com exceção dos olhos que eram os mesmos dos dela. Eu sempre evitei falar dele, talvez achasse que a magoaria. Porém desde que ficou doente, ela passou a falar cada vez mais dele, às vezes até parecia que isso a deixava melhor, ela chegava me fazer sentir que ele podia curá-la.
Então meu pensamento foi interrompido com Will perguntando meu nome.
– Lilian – respondi.
Ele olhou para o cômodo procurando um lugar vazio para me encaixar. Mas o lugar estava tão cheio de colchões, sacos de dormir, malas e pessoas, que mal tinha lugar para se pisar.
– Bem, estamos um pouco lotados – ele deu um sorrisinho meio envergonhado – mas essa noite é meu plantão, então você pode ficar com a minha cama hoje, amanhã veremos onde você vai dormir.
Ele me levou até sua cama. Era a parte de baixo de um beliche. Os lençóis cinza estavam bagunçados e seu cobertor – uma manta fina e azul – estava um tanto gasta.
– Eu sei que está bagunçado, e não parece muito – ele pareceu envergonhado – limpo, mas…
– Está perfeito! – eu o interrompi – Depois desta viagem eu durmo até em pé.
– Podemos providenciar – ele riu.
Eu o olhei rindo também, então ele me entregou uma camiseta laranja, como a dos outros campistas. Lia-se “Acampamento Meio-Sangue” nela.
– Vocês tiveram sorte hoje, – ele soou preocupado – nenhum monstro perseguiu vocês até aqui.
– Era para termos sidos perseguidos? – franzi a testa – Eu não estou entendendo nada, eu nem sequer sei como vim parar aqui.
Ouvimos um som, como um sinal.
– Hora do jantar, me sigam! – ele falou aos outros do chalé – Depois eu te explico tudo, – ele sorriu para mim – agora venha comigo.
Lilian, 15 anos, semideusa filha de Apolo. Cabelos loiro-areia e olhos castanhos claro, sou apaixonada e observadora, vivo e respiro música, sou uma garota quente. Colares, sorrisos, dourado, vestidos, amigos, pokemon, luz, vermelho-cereja, sapatos, chocolate, rock, menos palavras e mais poesia! Espero pelo meu sátiro (: